A Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (FAEPA) informa aos produtores rurais do Estado do Pará que foi autorizada, pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), presidida pelo Ministério Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, a liberação do plantio de sementes de algodão geneticamente modificadas (transgênicas) no território paraense.
Essa decisão representa um marco histórico para a agricultura do Pará, pois corrige uma restrição que desde 2023 limitou o desenvolvimento da cadeia produtiva do algodão no estado, enquanto outras unidades da federação já se beneficiavam dessa tecnologia agrícola.
A FAEPA registra reconhecimento especial ao Dr. Walkymário Lemos, Chefe-Geral da Embrapa Amazônia Oriental, que atuou de forma firme, técnica e abnegada na defesa da liberação dessa tecnologia ao Pará. Sua dedicação e compromisso com o desenvolvimento da agropecuária amazônica foram fundamentais para demonstrar, junto às instâncias técnicas e regulatórias, a viabilidade e segurança do cultivo do algodão transgênico no estado.
A autorização da CTNBio abre uma nova perspectiva para o fortalecimento da cadeia produtiva do algodão no Pará, especialmente por possibilitar o uso de sementes geneticamente modificadas mais resistentes às principais pragas e doenças do algodoeiro. Historicamente, a cultura sofreu forte impacto da ação do besouro conhecido como “bicudo do algodoeiro”, praga que inviabilizou a expansão da lavoura em diferentes regiões do estado no passado.
Com a introdução de tecnologias modernas de melhoramento genético, o setor produtivo passa a contar com cultivares mais eficientes, produtivas e adaptadas, inaugurando uma nova fase para a cotonicultura paraense, com potencial de geração de renda, emprego e diversificação da produção agrícola.
Importante ressaltar, que a FAEPA não mediu esforços para articular um amplo movimento institucional de convencimento técnico e mobilização do setor produtivo em favor dessa importante conquista.
No âmbito desse processo de articulação institucional, foi realizado evento de debates no dia 25 de outubro de 2024, reunindo na sede da FAEPA representantes do setor público e produtivo, com participação da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará (SEDAP), da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (ADEPARÁ), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA/PA), da Embrapa Amazônia Oriental e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/PA), entre outros convidados.
Na ocasião, foi firmado “Protocolo de Intenções Interinstitucional”, solicitando formalmente a modificação do despacho do presidente da CTNBio, publicado em 02 de outubro de 2023, que tratava das restrições ao cultivo do algodão transgênico no estado e apoiando os estudos que comprovassem que o Estado do Pará não possui espécies nativas de algodoeiros, que culminasse com “contaminações genicas” oriundas da introdução de espécie geneticamente modificadas.
A decisão final do CNTBio, liberando o plantio de algodão no Pará, representa uma vitória do diálogo técnico, da ciência e da união institucional, demonstrando a força da articulação entre pesquisa, produtores rurais e entidades representativas do agro paraense. Importante salientar, que essa decisão passará a ter validade após a publicação no competente DOU (Diário Oficial da União), entretanto, sendo possível planejar o plantio de algodão como mais uma alternativa para a agricultura do Pará.
A FAEPA, reafirma seu compromisso de continuar trabalhando em parceria com instituições públicas e privadas, apoiando os produtores rurais na adoção de tecnologias sustentáveis e na expansão de cadeias produtivas estratégicas para o desenvolvimento do Estado do Pará.
Belém (PA), 12 de março de 2026.
CARLOS FERNANDES XAVIER
Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará – FAEPA