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No coração político do Brasil, Palácio do Planalto, o Pará brilhou como símbolo de inovação com raízes amazônicas. O protagonismo veio com a apresentação do Açaibot, o primeiro robô colhedor de açaí desenvolvido com tecnologia 100% paraense, que se tornou o centro das atenções no lançamento oficial do Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026, na última segunda-feira (30/06). A ação nacional destina R$ 89 bilhões em crédito, assistência técnica e investimento direto para fortalecer os pequenos produtores do país.

O Açaibot participou da feira de produtos e tecnologias, destacando-se não apenas por sua proposta inovadora, mas pelo seu propósito social: levar tecnologia de baixo impacto ambiental para empoderar comunidades ribeirinhas e tradicionais da floresta. Desenvolvido pela Kaatech, empresa do Grupo Kaa, no distrito de Icoaraci, em Belém, o robô é controlado remotamente e tem capacidade de realizar mais de 100 subidas por carga de bateria, permitindo colher com mais segurança e eficiência, aumentando a renda dos produtores e preservando a natureza.

Segundo o investidor do projeto, Reinaldo Santos, o Açaibot nasceu de um desafio claro: como levar tecnologia à base da floresta sem romper com os saberes e tradições locais?

“Minha visão sempre foi usar a inovação como ponte, e não como ruptura. O Açaibot é uma ferramenta para que o ribeirinho produza mais, com menos risco e com dignidade. É uma maneira de mostrar que a Amazônia pode ser um centro de soluções sustentáveis para o mundo, sem perder sua essência”, afirma.

Reinaldo enxerga o Açaibot como um passo importante na transformação da economia ribeirinha, e acredita que a tecnologia pode inspirar novos caminhos para o desenvolvimento regional.

“O Pará tem um papel histórico e cultural na Amazônia, mas agora pode ter também um papel tecnológico. Queremos que outras ideias nasçam desse movimento. Que as pessoas olhem para a floresta e vejam ali inteligência, capacidade e futuro”, destaca.

A tecnologia embarcada no robô é fruto de uma colaboração entre especialistas locais e internacionais. Boa parte da estrutura é produzida no Brasil, e o sistema de controle foi desenvolvido em parceria com uma empresa americana. Segundo o diretor comercial da Kaatech, João Rezende, o Açaibot resolve problemas estruturais da cadeia produtiva do açaí.

“É uma solução que elimina a necessidade de trabalho infantil, reduz drasticamente os riscos de acidentes com peconheiros e ainda melhora a qualidade do fruto, evitando o contato com o solo”, explica.

João também destaca o impacto na produtividade e na inclusão social:

“O equipamento pode multiplicar por até dez a produção diária de um trabalhador, e o melhor: é leve, com apenas 8 quilos, de fácil montagem e operação. Pode ser utilizado por mulheres, promovendo inclusão e renda familiar. Isso representa mais oferta de açaí na mesa da população, mais exportação e mais renda para o estado.”

Outro diferencial é a segurança embarcada no próprio sistema. O Açaibot foi projetado com um sistema de frenagem por etapas, que permite o recuo automático em caso de falha, garantindo a integridade do equipamento e do operador. Os testes de campo foram realizados com ribeirinhos e peconheiros da região, superando as expectativas da equipe.

A Kaatech já articula, junto a instituições financeiras como Banco do Brasil, Banpará, Basa e Cresol, o acesso dos pequenos produtores ao equipamento por meio de linhas de crédito vinculadas ao Plano Safra, como o Pronaf.

A apresentação do robô teve um peso institucional. O governo federal indicou que o equipamento deverá estar entre as tecnologias financiáveis com os recursos do Plano Safra. Isso amplia o acesso de pequenos produtores à mecanização e insere o Pará no centro das políticas públicas voltadas à agricultura familiar e à bioeconomia.

Mais do que um equipamento, o Açaibot faz parte de uma estratégia maior. Em Icoaraci, o Grupo Kaa implanta um parque industrial voltado à inovação amazônica, com fabricação de basquetas biodegradáveis, produção de açaí em pó com alto valor nutricional, e geração de energia a partir do caroço do fruto. A previsão é de gerar mais de 4 mil empregos diretos e indiretos, com impacto direto para as mais de 300 mil famílias de ribeirinhos que vivem da floresta.

Com um pé no extrativismo e outro na indústria limpa, o Pará mostra que é possível gerar renda, preservar a floresta e melhorar a qualidade de vida das populações da Amazônia, com tecnologia pensada para quem vive dela.